ESPELHO OCO
Você chegou falando a língua das coisas
profundas, como quem reconhece um mapa
antigo e diz: “eu também estive aí”.
Eu acreditei no eco,
Não por ser vulnerável ou vítima,
Mas pela minha natureza de criar conexões na
profundeza dos laços, no olhar sensível
na coincidência bonita das ideias,
no espelho que não distorce.
Eu também te abri o que era sagrado
Espiritualidade, vivências,
meus processos,
minhas conversas internas,
meus caminhos de cura.
Mas havia pressa no que parecia encontro,
atalho onde eu esperava caminho,
havia uma mão que puxava antes de sustentar.
Eu disse não,
e o não virou detalhe na sua narrativa.
Você entrou,
mas não ficou para ver o que deixou.
Depois, veio o silêncio:
nenhuma pergunta,
nenhum cuidado,
nenhuma responsabilidade pelo que atravessou.
E hoje vejo:
nem todo ouvido que escuta
é espaço que acolhe.
Ficou claro, então,
que a profundidade era chave, não casa.
E eu, que abro portas com sentido,
aprendo agora
que nem todo espelho reflete,
alguns só imitam a luz
até conseguirem passagem.
O Eco era na verdade, oco.
Ana mais do que Nunca.


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