12 janeiro, 2018

FOTOCITANDO O AMOR

Chega chorei!  Um texto de  Edgard Abbehusen


Tem gente que subestima o amor. Acha que pode ir e seguir deixando-o para trás. Que o tempo fará o seu papel e cumprirá a sentença do fim. Que termina e não volta, mesmo com o coração pedindo pra voltar. Que prefere morrer de saudade, a morrer de amor.

Só que o orgulho e a vontade não ocupam o mesmo lugar. Um só vence a batalha interna no coração da gente. Beijam-se outras bocas. Viajam pelo mundo ou através dos sonhos. Aumenta a intensidade do som e quantidade da bebida na balada. Mas a gente sempre se esbarra com a lembrança do que tem que ser da gente, né?

E a cada tombo de realidade que a gente toma, um gole de esperança desce pela nossa garganta quando concluímos que esquecer não será tão fácil como imaginávamos que fosse.

É que não há dinheiro no mundo que suborne um coração para ele esquecer uma história. O amor não se vende. Não se entrega a felicidade momentânea que sentimos ao acreditar que estamos prontos para seguir. O amor luta pela nossa felicidade, apenas isso.

Não existe casa na praia. Lanchas ou bebidas caras. 
Melhor balada? Esqueça. O amor não se deixa iludir pelo excesso de coisas que fazemos para despistar os nossos maiores sentimentos.

Por isso a gente larga tudo por ele e vai até os braços onde os nossos abraços conseguem ter paz. Por isso os antigos diziam que o amor não tem preço. Por isso ele não vem com etiqueta. Muito menos encontramos nas vitrines em promoção.

Atravessamos o oceano se for preciso. Movemos céus e terras pelo amor com ainda mais intensidade do que tínhamos quando queríamos esquecer que o amor existe. E quando mais uma batalha é vencida, a torcida vibra.

Porque não é o casal que vence, sabe? É o amor que fez mais um gol no jogo da vida! E a gente consegue acreditar na sua força com mais coragem pra viver a nossa própria - até então inevitável - história de amor. 

An4 Mais do Que Nunca

16 outubro, 2017

TRANSPARÊNCIA

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente? 
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso. É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair às máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar... 
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. 
Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana. 
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo! 
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção... E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos. Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado. 
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar, doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!
Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando... pode parar, por favor?". Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor... 
Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível. 
Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto que consigamos docemente viver... sentir, amar... E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento. 
Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.

Reflexões P.G | Ana + do Que Nunca

10 outubro, 2017

SOBRE A FRAGILIDADE DA VIDA

In memoriam (Jimmy)

Hoje toquei na tão temida fragilidade da vida,
foi nostalgia, amor, tristeza e tantos outros sentimentos,
tudo à flor da pele junto com a única certeza: era verdade.
A vida é tão frágil que para não estarmos mais aqui,
basta que as batidas do coração cessem e que os olhos se fechem.
nas idas e vindas, entre lágrimas e lembranças, reflexões.
Como ter um mundo melhor? Quando enxergar o outro.
Milhões de pessoas morrem por dentro antes de manifestar a morte física,
e percebemos? e ligamos? Na despedida constatamos:
"éramos tão unidos, o que fez com que nos distanciássemos?
A distancia é recíproca, é o resultado da escolha de ambos,
parte é claro de quem faz o convite e não prioriza determinada pessoa,
talvez por ela não ser assim, não se vestir assado, não morar em tal lugar,
não ter determinado carro ou simplesmente por não ter a mesma opinião.
Assim se constrói barreiras e distâncias cada vez maiores entre as pessoas,
e haja coragem para desfazer tudo isso ou para que aconteça diferente.
Talvez eu nem seja a pessoa mais indicada para falar dos sentimentos alheios,
mas mesmo distante a gente sente uma imensa lacuna,
o resultado de vivências anteriores à vida adulta.
A soma e a multiplicação de tudo...
Precisamos então ser chacoalhados pela vida e ouvir:
Quando vocês vão se unir? Quando vão se ajudar?
ou alguém aqui está achando que é melhor que alguém?
De fato, tanto não somos que todos estamos sujeitos a qualquer coisa,
Inclusive à morte que é nossa única certeza aqui na Terra.
Passamos tanto tempo nos preocupando com o que vão pensar de
ou em dar grandes festas, comprar tal coisa, conquistar amores,
ou esbravejando com pequenos detalhes rotineiros,
que esquecemos o que mais importa: olhar o outro com olhos humanos,
olhos que possam ver a dor do outro, a precisão de um colo ou um carinho.
Olhos que amparam, consolam, fortalecem, somam positividade.
Fala-se tanto de dízimo: deixa-se dez por cento do ganho por la,
mas esquece-se de dar dez por cento do tempo a quem necessita,
Existe, porém raro, quem doe duas horas e quarenta de seu tempo,
seja para apenas ouvir, acalentar, acolher o coração sofrido,
isso não é mimimi, não é apoiar o "vitimismo" do outro,
Isso é sensibilidade, empatia e altruísmo.
Se consideramos de fato que Deus é amor
e aplicarmos a máxima de que somos sua imagem e semelhança,
como então agiríamos com o próximo? (Para pensar quantas vezes necessário for!)
Toda e qualquer despedida é mesmo dolorosa,
Mas ela pode se tornar mais leve se tivermos a certeza de que
o que podíamos falar, ouvir, fazer e estar, realizamos.
O luto permanecerá por algum tempo, mas o coração estará aliviado.
No mais, fé, muita fé! E certeza de que tudo que acontece não é por acaso,
Há sempre um propósito muito maior, que nós humanos nunca saberemos,
ou pelo menos por enquanto, mas algo de positivo ja podemos ver:
Todos que hoje lá estiveram, ao menos por alguns minutos repensaram sua vida!

Jimmy Querido, descanse em paz! Tenho certeza que a movimentação no céu hoje foi grande.
E aqui na Terra você será sempre lembrado com carinho.
Peça a Deus junto comigo que o coração de seus amigos e familiares sejam confortados.

Parece um contra-senso a morte ser uma bênção, no entanto é esta a mensagem de Deus -
"Preciosa é, à vista do Senhor, a morte dos Seus santos" (Salmo 116:15)
e "Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor...
para que descansem dos seus trabalhos e as suas obras os sigam" (Apocalipse 14:13).

De sua prima, Ana Mais do Que Nunca.