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A RESSACA DA PSEUDO INTENSIDADE

Existe um perigo silencioso na busca por aquilo que brilha rápido demais. Na arquitetura dos afetos contemporâneos, fomos treinados a confundir o barulho do entusiasmo com a firmeza da presença, a trocar o espetáculo da promessa pela entrega real. Apaixonamo-nos, muitas vezes, não pela pessoa que está diante de nós, mas pelo ruído que a própria expectativa faz ao ser alimentada. É assim que se instala a ressaca do vício da intensidade: o colapso de quem preferiu a vertigem do momento ao estofo da permanência. A intensidade sem substância é como o fogo de palha: queima os olhos, ilumina a cena por alguns segundos com uma promessa de aquecimento, mas não deixa brasas. Quando a fumaça se dissipa, o que resta é o choque da lucidez com a fantasia, o despertar da consciência ao perceber que o que parecia oceano não passava de uma poça rasa adornada por boas palavras. Recuperar o eixo exige sobriedade. Não se trata de alimentar a raiva ou o ressentimento, pois a raiva ainda concede ao outro o...

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