17 setembro, 2015

SOBRE PRESERVAR SUA NATUREZA


Salve a Mata Atlântica, não polua mares e rios, proteja o ar que a gente respira, não deixe que ipês e plátanos sejam arrancados para dar passagem a viadutos, não pise na grama, não compre nem venda animais silvestres, mas, sobretudo, preserve sua própria natureza.

Se você não nasceu para o terno e gravata, para o ar-condicionado e para reuniões, não seja um executivo, não ambicione ter tanto dinheiro, não pegue a trilha errada porque, lá adiante, vai dar preguiça de retornar e começar tudo de novo.

Se você não se imagina passando o resto da vida ao
lado de uma única pessoa, se tem fome de liberdade, se gosta de estar em trânsito e experimentar toda forma de amor, e desconfia que sempre será assim, não importa a idade que tiver, então não case, não siga padrões de comportamento para os quais você suspeita não ter talento.

Se você sente que tem um amor enorme dentro de você e precisa dividir isso com alguém, se há em você generosidade suficiente para dedicar a maior parte do seu tempo a ensinar, brincar e criar uma pessoa, então não deixe de ter um filho, mesmo que não tenha com quem concebê-lo, mesmo que pense que já perdeu esse trem: perdeu nada, adote uma criança.

Se você não suporta mais ser governado, se não tem paciência para esperar as coisas acontecerem, se seu voto não tem adiantado grande coisa, se sua cabeça está cheia de idéias simples e praticáveis, se você tem o dom da oratória, muitos amigos, um ótimo caráter e acredita que pode mudar o que está aí, filie-se a um partido, apresente suas soluções.


Se você não é capaz de ficar com vários caras num único verão, se não faz questão de sair para a balada todas as noites, se sonha em encontrar um amor de verdade, alguém que a compreenda e seja um parceiro pra sempre, então não force outros relacionamentos, lute pelo seu ideal romântico, não se avexe de estar na contramão.

Não devaste nem polua você mesmo.



Martha Medeiros

16 setembro, 2015

FOTOGRAFIA

No godê do vestido giravam mais que bolinhas, giravam fantasias e inspirações,
As mãos dadas, nos lábios, os sorrisos que aproveitavam pra dançar suavemente, constantemente.
E o vinho tingindo as entranhas, enrubescendo as faces, vivificando as almas
Estas que, ditosas e radiantes revelavam o que havia de mais sagrado, de mais absurdo.
Toneladas de existência que levemente manavam para o interior das vidas.
Das passagens que carecemos sentir garantia em proferir:
Amores antigos, amigos, raízes, natureza, cultura..
Crus, aventurados, expostos, sujeitos a si próprios,
 E não havia sequer qualquer pré-julgamento ou atribuições de juízo de valor.
Ao contrario, laços foram criados, abraços foram perpetuados.
Tudo à volta se mostrava como uma fotografia, desfocada.
Enquanto o foco, o brilho, o contraste encontrava-se nos olhos, nos lábios.
Fortaleciam ainda mais as cores daquela bela fotografia
Criando uma atmosfera exata de veracidade e confiança.
O magnetismo desmedido, o toque, a tez.
Foi o que sutilmente fez com que apanhassem os cacos da mesa
E moldassem em formas novas, jamais saboreadas.
Como adolescentes na madrugada fria e esperançosa,
Despertavam a cobiça nos que estavam de passagem,
Que como eles, desejariam estar envolvidos naquela vivacidade,
Na afabilidade dos abraços abastados e apertados
E dos beijos entusiásticos, aprazíveis e ardentes.
Mas aquilo era apenas o de mais simples que a vida podia lhes reservar,
E em tal simplicidade se revelava sua completude.
No balcão, deixaram marcas que simbolizavam aquele momento.
As voltas incessantes pela cidade bonita,
E os ponteiros que entravam em constante maratona,
O dia, o sol, a claridade tinha grande afã em despontar!
Fez surgir então uma despedida preguiçosa ...
Desejosos de que o tempo se entendesse um pouco mais
Eternizaram toda a essência dentro de um abraço arrebatador.


Ana Mais do Que Nunca.

28 agosto, 2015

DANÇA COMIGO?

A noite estava gelada, 
A emoção estampada no rosto. 
O convite lançado, 
A morada?   teus abraços! 
-Dança comigo? 
A resposta logo foi revelada 
Com movimentos sinuosos
A liberdade dos movimentos 
Braços, abraços, pernas
Giros,  Beijos e sorrisos... 
- Hey!  Ho!  Let's go! 
A totalidade do ser externando-se
Acendendo o brilho daqueles olhos, 
Que tão fixamente admirava. 
Surpreso, perplexo, feliz!
A pulsação,  ritmo,  som, sorriso
Presentes em um compasso,
Sublime, pleno e autêntico. 
Onde estava o segredo de tal dança? 
Escondido nos braços ou abraços. 
As borboletas do estômago 
Que foram todas libertas!
Com energias magníficas e transformadoras, 
Lá estavam eles, acompanhados
Radiantes,  libertos,  satisfeitos,  afortunados e gratos. 
Todo incômodo,  insatisfação e infelicidade 
Lançados ao esquecimento. 
Com toda sintonia, 
Em toda sinfonia, 
Imensurável, impagável e imprevisível 
A expansão da consciência, 
A grandeza da alma, 
A manifestação súbita da alegria... 
Repentinamente as horas foram subtraídas, 
Permitindo que as sensações presentes
Os acompanhassem,  
se não  por um dia, 
Mas por toda eternidade.

Dança comigo? 

Ana + do Que Nunca