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A CLAREIRA DA ALMA

Havia, nos tempos em que o mundo ainda era grande e misterioso, uma menina que deitava a cabeça no travesseiro e sentia a alma reverberar em calafrios e agitações na barriga. Uma gastura sem nome que trazia o infinito para dentro do quarto. Naquela época, o medo fazia buscar o aconchego do colo materno e paterno; a infância ainda não tinha vocabulário para traduzir o que já era abertura, sensibilidade e o ensaio de um chamado sagrado. Aquela quietude interrompida não era desalento: era a terra do próprio ser se movendo, preparando as raízes para o que viria. Essa força sutil sempre esteve à espreita, tecendo sinais. Há muitos anos, em um templo de oração, minhas mãos deram forma a uma pintura mediúnica: o rosto de uma guardiã ancestral, bela e altiva. Por muito tempo, busquei em vão saber seu nome, que permanecia guardado pelo silêncio. Foi somente anos mais tarde, sob o manto dos dias de isolamento, que o mistério se desfez. Ao passar por uma profunda limpeza espiritual através da med...

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