Saturday, February 6, 2010

Rosas rosas

                                                                                                                                            Para Jéssica Pannunzio

Cabelos claros, claros como trigo. 
Os seus olhos indefinidos que deixam os que a esperam confusos; afirma a todo momento que não há profundidade, não há o que cavar nem o que buscar... 
E sim há!
Sua pele clara e suas mãos delicadas, porém nada de sutileza no seus gestos bruscos de expressar suas emoções, livre e presa. 
Uma porta imensa, larga aberta a sua frente, uma luz dourada forte, fosforescente faz cegar e não enxergar o que há do outro lado...
O que há do outro lado? 
Vc tem sonhos? 
Quais são teus sonhos? 
O que esperar de mais 365 dias? 
A menina frágil de um lado da ponte, vestido de lesi, rendado, rodado e rosa. 
Espera-se que ao longo da ponte a lagarta vire borboleta, que a menina não perca sua delicadeza, mas que ganhe a maturidade de uma mulher decidida, a garra e a coragem de dizer um não, um sim... 
E que essa mesma borboleta alcance os voos mais altos, mais longos. 
Que em suas asas tenha muitas cores e que com essas cores vá conquistando flores, rosas. Rosas rosas mesmo... 
Que essa menima-mulher, essa lagarta-borboleta viva livremente e consiga ter confiança em si mesma, assim aprenderá que o melhor e mais importante amor é o amor-próprio. 
A menina no balanço deixa cair uma lágrima, se sente sozinha, mas no íntimo sabe que é um processo doloroso e necessário, este faz crescer; e de forma alguma estará sozinha. 
É acalentada e relembra a emoção de ganhar presentes, sorri novamente... 
Do outro lado da ponte, depois da porta e da luz dourada encontrará.

Feliz aniversário.
Ana Mais do Que Nunca

Thursday, February 4, 2010

ESCAPAMENTO

Enquanto quatro dedos envolviam a nuca, o polegar apertava a garganta.
Gargalhava, apertava os olhos de satisfação, mergulhado na sua frustração vendo o outro quase morrer.
Uma placa protetora, áspera, dolorosa,
impedindo a passagem dos cubos que deveriam ser devolvidos, vomitados.
Cubos de sentimentos, sensações, palavras.
Cubos florescentes. Fosforescentes,
Iluminando a escuridão dos canos estreitos,
raspando na ondas dos impulsos feridos.
Redemoinho. Dor. Desespero.
Fracasso estampado nas suas ações.
Palavras doces banhadas com lágrimas amargas.
Queria mas não podia e não poderia até que abrisse sua mão e libertasse aquela alma em cacos que nada tinha a ver com seu passado, com suas desilusões misturadas ao hortelã, ao vidro à chuva, às luzes da cidade.
Gato na lã...
Afirmações transparentes, frases de renda, atitudes em tule. Buraco no lamê, rendas. Flores. Mansidão.
Através da cortina seu rosto triste colado no colchão, no travesseiro, no espelho buscando explicações.
E a placa ia se desfazendo ao passo que o combustível da perua azul era expelido da forma mais gasosa possível por seu escapamento.
Escapamento foi o que encontrou naquele domingo que chovia como nunca, como ninguém na linha do trem que não vinha.
Encontro de energias, desimportância, custava R$1,00 e a bebice envolvia os olhos, o sentido, incomunicável, mudou de mundo.
Os Morros lavados com a adrenalina almejada, a fumaça formando desenhos no misto de sentimentos expostos nos cartões, nos sorrisos...
Os dedos haviam caído e com eles toda admiração, sentimento fúnebre surge na manhã de uma cinzenta segunda-feira, restam as lembranças das meninas super heroínas que pintavam as paredes com tinta de melancia, delas que guardavam seus corações em latas pra não desperdiçar a emoção de ver morcegos na Frei caneca, os perdidos no paraíso não enxergavam que do outro lado da tela havia uma parede pixada com os seguintes escritos: I CAN DO IT / ITS NEVER DIE.
Tudo esquecido.
Tudo relembrado.
Liberdade seria isso?
Mãos atadas.
Entendimento.
Diferença distancia o corpo da alma que quer inteiro perto próximo da essência.
O que é amor mesmo Bruna?
O que é amor Boni?
Amor é você dividir aquilo que você verdadeiramente tem.
Amor não é apenas aceitar as diferenças dos outros, mas aceitar as próprias diferenças.
Amor é o que divido com todos que passam, ou por todos que passo.
Amor parede azul; saudade; ternura...
Volta para a roda da vida, a roda viva, a rosa dos ventos que sopra para o lado contrário ao da sua vontade.

Ana Mais do Que Nunca.

Wednesday, January 27, 2010

INDIFERENÇA


Foi assim como uma espera interminável, jogada sobre as molas cobertas de espuma. Sonolenta.

Vez ou outra abria os olhos, mas não vinha, não vinha nunca, pensou!

Dormiu.

Foi assim como uma punhalada, como novamente perder o chão, a cor, como aquela ressaca das ondas sobre as pedras derretidas.

Foi como rasgar o manto de alegria que a cobria.

Ultimamente nada lhe deixava tão insatisfeita como a maldita inconstância alheia. Antes era indiferente a esse comportamento, mas conforme ficava mais próxima o incômodo também lhe preenchia os espaços.

Não adiantava, não havia nada que a fizesse esconder isso!

Vontade de sumir, por alguns minutos apenas.

Ódio cortando tudo por dentro, e dessa vez não era de si mesma; ja havia feito o que estava ao seu alcance.

As cartas "valor" e "integridade" ja estavam na mesa.

Não queria acreditar ou aceitar o que estava vendo, sentindo...

Precisou de provas, de espelho...

Como manter um diálogo com uma pessoa que lhe provoca ânsia e mais do que isso, tédio?

Pensou ser um desequilíbrio ou uma auto-afirmação, mas nada explicava essa coisa entalada, além disso não queria se enganar ou se sabotar outra vez.
Também não iria jurar que era a última vez que chorava, estava viva, sentia isso, e ainda derramaria muitas lágrimas.

Por algumas vezes anestesiou sua dor, envolvendo-se com a própria dor.

Esquecimento?
Lapso de memória?
Amnésia?
Até ela esqueceu o que disse.

Pensava que a maior dor na verdade é ser indiferente quando tudo que se quer é estar presente.

Mas estar presente custava caro!

Logo aparecia uma barreira!
Isso era quase a regra de tudo em sua vida.
Quando tudo estava indo bem aparecia uma dor que latejava. Torturava.

Havia indiferença e distancia involuntária; voluntária.

São coisas da vida mesmo! Pensava.

Conformação; Adaptação.

As pessoas vão assim vivendo, crescendo opostamente.
Cada vez que se percebe mais, mais fica distante ou vice-versa.
Cada um no seu ritmo, no seu momento.
Aí vai restando só a lembrança e por vezes, nostalgia.

Nos braços da dor! La estava ela se entregando; mulher com olhos úmidos da despedida que fazia silenciosa.

Doía ser indiferente, mas era.
Não havia outra escolha e nem como remendar os cacos todas as vezes que se espatifavam;

Definição? Também não.

Era algo que ao passo que preenchia seu ser com citações e canções noturnas, conseguia destruir tudo em poucos segundos, da maneira mais mesquinha possível.

Um lapso de memória talvez!

Parou por um instante e respondeu uma mensagem com as seguintes palavras: "Exatamente agora não estou bem, mas nada que não posso superar. Faz parte do meu show."

Dramatizou.

Não procurou mais as razões, os motivos, os porquês. Não havia nada mais.

Pensou; penou, pena.

                           Ana Mais do Que Nunca

Monday, January 25, 2010

FATO

O fato era o costume da reação de como as pessoas a viam a primeira vez...
Havia lido em algum lugar que fatos são verdades.
De como se iludiam, de como sonhavam que ela era perfeita, singela e maravilhosa...
Mas dentro dela sabia que isso não era verdade, que estava suspensa e qualquer impulso faria que aquela corda em seu pesçoco acabasse com tudo.
Mas esse era jogo e ainda duraria por alguns anos: o risco no lado esquerdo da boca, ironia; do lado direito, sarcasmo. O bom mesmo quando ela e todos viam o risco dos dois lados de sua face e quando esse mesmo risco tinha uma leve inclinação para cima, felicidade.
Achava estranho quando não havia preocupação, era vazio assim, lutava pra que isso viesse e lhe açoitasse como nas antigas; de encontro com o vinho, os pratos, as grandes janelas, os cartões de crédito madrugadas afora, adentro...
Se vestia não importando mais o que pensavam, largou os cigarros. A bebida não...
A preocupação não mais existia! E nem mais aquele frio na barriga, assim como borboletas no estômago de quando corria, devia e descumpria a lei dos outros, a sua, a de Deus, a dos anjos, a dos pobres e porcos...
Um barranco coberto com plástico preto.
Um barraco mofado manchado molhado...
Pela manhã aborrecimentos, café e separação.
Era fato de que nada mais tinha além de si mesma.

Ana Mais do Que Nunca